Diáspora brasileira · Ouidah, Benin · Candomblé · Agudás

Salvador da Bahia
sempre olhou para Ouidah.

O Candomblé nasceu aqui. Os Agudás voltaram para cá. A arquitetura brasileira está aqui, nas ruas de Ouidah. Brasil e Benin nunca estiveram realmente separados.

O Atlântico Negro

Quatro conexões
que talvez você não conhecesse.

O Candomblé vem daqui

O Candomblé brasileiro, particularmente o Candomblé Jeje, vem diretamente do Vodun beninense. Os orixás do Candomblé são as mesmas entidades dos Vodun de Ouidah. Xangô é Shango. Iemanjá é Mami Wata. Omolu é Sapata. Mesma memória, línguas diferentes.

Os Agudás, o retorno do século XIX

Descendentes de escravizados libertos voltaram do Brasil ao Benin no século XIX: as famílias de Souza, de Almeida, da Silva, Martinez. Reconstruíram suas casas em Ouidah, trazendo a arquitetura sobrado, o carnaval, a culinária afro-brasileira. Em Ouidah, África e Brasil já estão misturados há 200 anos.

Salvador da Bahia e Ouidah

Salvador da Bahia é para a África o que Ouidah é para o Brasil: as duas cidades se olham através do Atlântico. Pesquisadores falam de um 'Atlântico Negro' que liga essas duas margens. After Vodundays é a viagem que fecha esse círculo.

Os sobrenomes portugueses em Ouidah

Em Ouidah você verá sobrenomes que conhece. Ferreira. Da Silva. De Souza. São os Agudás, seus primos de volta. A presença deles nessa cidade é a prova viva de que Brasil e Benin nunca estiveram realmente separados.

Os nomes que você já canta

Mahi. Savalu. Mina.
São lugares. Ainda existem.

As nações do Candomblé Jeje e o Tambor de Mina não guardaram nomes abstratos. Guardaram nomes de povos e de cidades que continuam no mapa, a poucas horas de Uidá.

Jeje Mahi

Os Mahi vivem no centro do Benin

A nação Jeje Mahi leva o nome de um povo que existe hoje, a algumas horas de Ouidah, na região de Savalou e Dassa. Não é um nome perdido na travessia. É um endereço.

Jeje Savalu

Savalou é uma cidade do Benin

Savalou fica a cerca de 200 quilômetros ao norte de Ouidah. A cidade tem seu rei, seus cultos, seus mercados. Quem canta para o Jeje Savalu canta o nome de um lugar que se pode visitar.

Casa das Minas

São Luís do Maranhão

A tradição da Casa das Minas associa sua fundação a mulheres vindas do Daomé, o reino cuja capital era Abomé e cujo porto era Uidá. É uma das casas mais antigas do país, e sua memória aponta diretamente para esta costa.

Tambor de Mina

O nome vem da Costa da Mina

A Costa da Mina designava justamente este litoral: o que é hoje o Benin, o Togo e o leste de Gana. O nome que se canta no Maranhão é o nome que os navios davam a este lugar.

Uidá é a grafia portuguesa de Ouidah. Daomé era o reino cuja capital era Abomé e cujo porto era Uidá. Os dois nomes atravessaram o Atlântico dentro dos cantos, e voltaram até aqui inteiros. A cidade continua no mesmo lugar.

Os Agudás de Ouidah

Eles voltaram do Brasil.
Eles ainda estão lá.

No século XIX, libertos brasileiros atravessaram o Atlântico no sentido contrário, de Salvador da Bahia a Ouidah. Trouxeram consigo a arquitetura colonial portuguesa, a culinária brasileira, a dança, o carnaval. Seus descendentes ainda habitam as mesmas casas em Ouidah.

No After Vodundays, você vai caminhar pelo bairro brasileiro de Ouidah, ruas que lembram Salvador da Bahia. Não é coincidência. É a mesma memória.

Perguntas da diáspora brasileira

A nação Jeje Mahi tem relação com um lugar real na África?

Sim. Os Mahi são um povo que vive hoje no centro do Benin, na região de Savalou e Dassa-Zoumé, a algumas horas de Ouidah. O nome da nação não é uma abstração litúrgica: designa uma população que existe, com sua língua, seus cultos e seu território.

E o Jeje Savalu?

Savalou é uma cidade do Benin, cerca de 200 quilômetros ao norte de Ouidah. Ela tem seu rei, seus cultos e sua festa anual. Quem invoca o Jeje Savalu invoca o nome de um lugar que continua no mapa e que se pode visitar.

Uidá é a mesma coisa que Ouidah?

Sim. Uidá é a grafia portuguesa da cidade que os franceses escrevem Ouidah e os ingleses escreveram Whydah. Foi ali que os portugueses ergueram o Forte São João Baptista de Ajudá, e é ali que fica a Porta do Não Retorno.

O que era o Daomé exatamente?

O Daomé foi um reino africano cuja capital era Abomé e cujo principal porto era Uidá. Existiu do século XVII até a colonização francesa no fim do século XIX. Não corresponde às fronteiras do Benin atual: era um Estado, não um país no sentido moderno.

A Casa das Minas tem ligação com o Benin?

A tradição da Casa das Minas, em São Luís do Maranhão, associa sua fundação a mulheres vindas do Daomé. É uma memória transmitida oralmente, e os pesquisadores discutem seus detalhes, mas a direção que ela aponta é clara: esta costa, este reino, este porto.

Eu pratico Candomblé em Salvador, o After Vodundays vai falar comigo?

Profundamente. Os participantes praticantes de Candomblé costumam descrever o After Vodundays como um retorno à casa espiritual. Os rituais, as divindades, os ritmos: você vai reconhecer o que pratica em sua forma original.

Minha família se chama Da Silva ou De Souza, somos Agudás?

Talvez. Esses sobrenomes são típicos dos Agudás de Ouidah, descendentes de libertos que voltaram do Brasil. Em Ouidah, você encontrará famílias que carregam esses mesmos nomes há gerações. Costuma ser um momento de reconhecimento muito forte.

O After Vodundays é feito para brasileiros não praticantes?

Sim. Seja você praticante de Candomblé, simplesmente curioso sobre suas origens, ou tenha feito um teste de DNA apontando para a África Ocidental, o After Vodundays acolhe todos os perfis da diáspora.

Há encontros previstos com as famílias Agudás?

Sim. As famílias Agudás de Ouidah fazem parte da estrutura social da cidade. Encontros são organizados para os participantes brasileiros que desejam explorar essa conexão particular.

O Atlântico separou vocês.
O After Vodundays reúne.

O Candomblé da Bahia e o Vodun de Ouidah compartilham a mesma fonte. O After Vodundays reconecta você a essa fonte em seu estado mais intacto, não reconstituído, não musealizado. O acesso é exclusivo: a ONG Wa Afriki é a única organização que construiu uma rede de confiança com os guardiões da tradição de Ouidah. 65% revertidos às comunidades. 10 milhões de FCFA gerados por edição. Nenhum operador brasileiro pode reproduzir isso.